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O dia-a-dia da Construção
23 de julho de 1957

O Presidente Juscelino Kubitschek promove uma reunião, no Palácio das Laranjeiras, de parlamentares, a fim de exibir-se aos membros das duas Mesas do Senado e da Câmara o projeto do novo edifício do Congresso Nacional a ser erguido em Brasília. O edifício terá 25 pavimentos e dominará toda a cidade, abrigando a Câmara e o Senado, com entradas e serviços diferentes, biblioteca, um escritório para cada membro do Congresso, plenários com capacidade para 1.000 pessoas cada um, salão com televisão para 5.000 pessoas, além de outros requisitos modernos indispensáveis. O vice-presidente do Senado, senador Apolônio Sales, e o Presidente da Câmara, deputado Ulisses Guimarães, declararam-se entusiasmados com o projeto.

(Diário de Brasília)


 
22 de julho de 1957

A Vasp inaugura suas viagens aéreas regulares com aviões Scandia de 32 e 36 lugares, entre Brasília-Belo Horizonte-São Paulo, com conexões para o Rio de Janeiro;

(Diário de Brasília)

 

 
21 de julho de 1957

inicia-se a construção do Paranoá Clube, projeto da Divisão de Arquitetura e Urbanismo da Novacap. Trata-se de construção de madeira fina.
(Dário de Brasília)

 

 
20 de julho de 1957

A Inspetoria Regional de Estatística de Goiás realiza um censo em Brasília, cuja população atual é de 4.600 homens e 1.683 mulheres.

 
19 de julho de 1957

A Novacap divulga que já se acham asfaltados 1.200 metros do aeroporto definitivo de Brasília;
(Diário de Brasília)

 

 
17 de julho de 1957

O Ministério da Educação e Cultura firma com a Novacap convênio segundo o qual funcionarão em Brasília vários postos da Companhia de Educação de Adolescentes e Adultos. Além de quatro cursos de alfabetização, instalar-se-á, em Brasília, um Centro de Iniciação Profissional, com máquinas e equipamentos próprios.

 

 
16 de julho de 1957

O "Diário de Minas", de Belo Horizonte, publica extensa entrevista com o Presidente da Novacap, cujos principais tópicos são os seguintes:

a) estruturas metálicas – a construção de edifícios, como os dos Ministérios, de 10 andares, era até agora, no Brasil, feita de concreto armado, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde se utiliza a estrutura metálica. Isso explica porque no Brasil a mão-de-obra era mais barata em relação ao que acontecia nos Estados Unidos, onde a mão-de-obra era mais cara relativamente ao preço do ferro. A escolha era, assim, um assunto de ordem econômica. Últimamente, no Brasil, devido ao encarecimento da mão-de-obra, decorrente do aumento do salário mínimo e dos transportes, essa posição relativa deixou de existir. Tanto assim que, com estruturas metálicas de Volta Redonda, estão sendo construídos um grande edifício em São Paulo e outro em Porto Alegre, como estamos na Novacap construindo um hotel em Brasília, com essas estruturas.

Verificar-se-á, assim, preliminarmente:

1º. Não foi inovação da Novacap, que por sua vez procurou fazer uma experiência desse sistema de construção no Brasil. Verificando, pela iniciativa, como também na sua construção em Brasília, as vantagens, sob o ponto de vista de tempo e de economia, da estrutura metálica sobre a construção de concreto armado – economia mais acentuada em Brasília, devido ao preço do cimento e da madeira para construção das formas e a exigência maior e de menor prazo – sob todos os dois aspectos o problema mais se acentuava em favor da construção metálica.

2º. Bem verificada a necessidade e conveniência da estrutura metálica, tomamos as providências primeiro para a sua aquisição, e segundo, para a sua montagem.

Cientificado, o Presidente da República – que como todos sabem, diretamente coordena a solução dos problemas de Brasília – entendeu-se Sua Excelência com o Presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, General Macedo Soares, que fez ver a impossibilidade de Volta Redonda atender às necessidades da Novacap para a fabricação dessas estruturas metálicas. Teve-se em conta que essa requisição a Volta Redonda a obrigaria a alterar a sua linha de produção, em prejuízo das necessidades de construção e fornecimento de um sem número de indústrias que consomem o seu material. E aconselhou mesmo o General a conveniência da construção ou importação das estruturas metálicas, raciocinando que, iniciado em grande escala esse tipo de construção proporcionaria – verificada a conveniência da generalização – um grande mercado para a produção siderúrgica, que no momento se amplia no Brasil. O aumento – decorrente da ampliação de Volta Redonda, da Belgo-Mineira, da criação da Usiminas, da Cosipa e mais a siderúrgica de Vitória – será em torno de um milhão e 500 mil toneladas, mais do dobro da produção atual.

Nos Estados Unidos – diga-se a título de ilustração, 20 por cento da produção de aço são consumidos em estruturas metálicas.

b) Restava a construção dos edifícios por esse sistema. Devo dizer, antes, que para não forçar a balança comercial com a importação dessas estruturas metálicas – que deve montar a 6 milhões de dólares – foi contrato um empréstimo de 10 milhões de dólares com o "Export and Import Bank", para ser resgatado em 15 anos. O restante do empréstimo será destinado à construção da usina hidrelétrica: restava assim a construção dos 11 edifícios ministeriais, por esse sistema de estruturas metálicas.



Foto: Arquivo Público do DF


Estranham os construtores nacionais, secundados pelo Clube de Engenharia, que não fosse entregue a brasileiros a construção dos edifícios. Há um grande engano: o que a Companhia Novacap contratou com a firma americana especializada foi exclusivamente a montagem da estrutura metálica. Todo o restante da construção ficará a cargo de empreiteiros brasileiros, que serão oportunamente convocados.

A montagem das estruturas metálicas, incluindo o valor dessas estruturas, representa, apenas, um quarto do edifício, tendo, portanto, ficado três quartos para a construção nacional. A conveniência do contrato com a firma americana decorre de técnica e da maquinaria especializada para essa construção, que ainda não temos. Tanto assim que as estruturas atuais no Brasil estão sendo montadas diretamente por Volta Redonda e, por falta de maquinaria necessária, em prazos absolutamente inaceitáveis em relação às possibilidades da técnica americana. Posso exemplificar: para a montagem do hotel em Brasília, menor do que um dos Ministérios, Volta Redonda levará, de acordo com o contrato, 90 dias para montagem. Pelo contrato que assinamos com os americanos, com multas pesadas, no caso do não cumprimento dos prazos, eles se obrigam a montar por mês dois Ministérios, isto é, em seis meses montarão os onze!


c) Esse contrato, feito da forma de administração contratada, na forma dos assinados com os construtores brasileiros atualmente trabalhando em Brasília – foi feito na base de 8 por cento, enquanto que com os nacionais foi feito na base de 12 por cento.

A construção de estradas de rodagem foi feita na base de concorrência por preço unitário, mas as construções de edifícios, no momento, nesta primeira etapa, não poderia sê-lo, porque nenhum empreiteiro – a não ser cobrindo-se com margem inaceitável de garantia de risco – iria propor preço unitário, sem poder, previamente, verificar as condições de custo dos materiais de construção locais, por ainda não estarem em exploração franca. Mas acredito que a construção dos Ministérios, já se possa fazer pelo preço unitário.

Para finalizar essa questão de estruturas metálicas, devo dizer que a Novacap adotou o sistema mais conveniente aos seus interesses, quer sob o ponto de vista econômico, quer sob o ponto de vista de prazo de construção, e, mais ainda, sob o ponto de vista dos melhores interesses nacionais.

d) A construção em Brasília é mais barata do que no Rio e em São Paulo, atingindo a base de 6 mil cruzeiros o metro quadrado. Mas tende a baratear com a melhoria de transportes e exploração de pedreiras e material de construção.



e) Tem-se impressão de que o sistema rodoviário e ferroviário de penetração foi

feito, tendo em vista a situação de Brasília. Verificamos, assim, que a direção da

Central do Brasil, a maior estrada de ferro do Brasil, foi feita no sentido de

Formosa, isto é, Brasília, pois está a 30 quilômetros da nova Capital e já estava

em construção além de Pirapora, é verdade que em ritmo lento. A Rede Mineira

de Viação termina em Anápolis, a 100 quilômetros de Brasília; a Mogiana se

entronca em Goiandira com a Rede Mineira, a 200 quilômetros de Brasília. A

estrada BR-14 já liga São Paulo-Goiânia-Anápolis, na direção de Belém,

portanto a 100 quilômetros de Brasília. Verifica-se, assim, que Brasília, com

100 quilômetros fica ligada a todas essas estradas, já prontas, apesar de estar a

1.000 quilômetros do Rio

(Diário de Brasília)

 

 
14 de julho de 1957

A imprensa divulga o texto das palavras com que o Presidente Juscelino Kubitschek abriu, em 2 de outubro de 1956, o Livro de Ouro sobre Brasília, destinado a registrar opiniões e impressões de visitantes ilustres;
(Diário de Brasília)
 
A Novacap decide fundar o Paranoá Clube, com sede em Brasília;
(Diário de Brasília)

 

 
13 de julho de 1957

Divulga-se que o IBOPE, numa consulta preliminar realizada no Rio de Janeiro sobre a mudança da Capital, obteve os seguintes resultados: 45% a favor da mudança; 8% não tomam conhecimento do assunto; 7%, indiferentes e 40% contra.

 

 
12 de julho de 1957

O jornalista Conrad Wrosz declara que organizará a edição de 1958 da publicação "Brazilian Information Handbook" com um capítulo sobre Brasília, afirmando:

"A construção de Brasília desperta profundo interesse no povo americano, que está curioso por saber como o Governo brasileiro resolverá o problema da nova Capital".


A revista norte-americana "Business Week" , de ampla circulação, especialmente no mundo dos negócios, publica uma reportagem sobre Brasília. A reportagem, de inicio, salienta:

"Graças as constantes viagens do Presidente Kubitschek pelo interior do Brasil e a recente inauguração do local onde se erguerá a nova Capital, o projeto conseguiu atrair a simpatia e a confiança do povo."

A Novacap é assim apreciada:

"A fundação dessa Companhia representou um passo significativo ao movimento em torno da transferência da Capital brasileira para o Planalto Central. Ainda há pouco, o Banco de Exportação e Importação, depois de um estudo minucioso do projeto, anunciou um empréstimo de 10 milhões de dólares à Novacap."

(Diário de Brasília)

 

 
09 de julho de 1957

O Presidente Juscelino Kubitschek visita, em São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, que lhe manifesta profundo interesse pelas obras de Brasília, afirmando:
 
"Acompanho com meus aplausos as visitas de Vossa Excelência a Brasília. Acho que Brasília é um acontecimento. São Paulo deve responder à solidariedade que Vossa Excelência deu às comemorações do Nove de Julho, solidarizando-se com Brasília, contribuindo com sua técnica, sua indústria e seu comércio."

O Presidente da República assegura, então, que o discurso proferido pelo Cardeal-Arcebispo na futura capital marcou época. Há referências à construção da Catedral de Brasília, em estilo moderno, e o Cardeal Motta passa a falar do plano urbanístico de Brasília. E diz ao Presidente:

"É preciso que Vossa Excelência responda às críticas realizando, fazendo."

O Presidente da República afirma que, em Brasília, os Deputados federais terão maior atividade, pois "o Rio é absorvente."

O Cardeal concorda e observa:

"Penso que Brasília evitará que o Rio e São Paulo tenham mais favelas. Resolverá o problema dos nordestinos que convergirão para lá. É um preventivo contra as favelas."

O Cardeal assegura, depois:

"A mudança da capital equivale à ocupação do Brasil sobre si mesmo."

O Presidente da República convida o Cardeal Motta a descansar um dia ou mais na residência presidencial da futura capital, observando:

"A casa é de madeira, mas muito confortável. E o clima é excelente."

A conversa prossegue em torno de vários problemas importantes.

Após dez minutos de palestra, e formuladas as despedidas, retira-se o Presidente Juscelino Kubitschek.

(Diário de Brasília)
 

À imprensa, o Diretor Executivo da Novacap afirma, a respeito de materiais para a construção de Brasília:

"Temos aqui materiais suficientes para construir a nossa cidade, e esses materiais são alcançados com relativa facilidade, dada a proximidade de sua localização. Os únicos propriamente importados são o ferro e o cimento. As madeireiras, temos as goianas e as de outras regiões, que chegam por estrada de ferro ou caminhão."

(Diário de Brasília)


Já se encontram construídos 48 quilômetros da estrada asfaltada de 127 quilômetros que ligará Brasília a Anápolis, em Goiás. Cinco firmas encarregam-se da construção dos diversos trechos. Já se iniciou, também, a construção de três pontes importantes para a rodovia.

(Diário de Brasília)

 
06 de julho de 1957

Funcionários do IAPI

 
O Presidente Juscelino Kubitschek  inaugura o Hospital do IAPI – o primeiro que funcionará em Brasília, e que tem 50 leitos. Colaboraram na construção, além da administração central do Instituto, sediado no Rio de Janeiro, as Delegacias Regionais de São Paulo e de Goiás, cabendo, à primeira, a remessa do material.
Dos trabalhadores de Brasília, avaliados em 6.000, a terça parte, aproximadamente, está filiada ao Instituto dos Industriários.

O hospital é completo em todos os sentidos e cada enfermaria possui, em média, oito leitos. As enfermarias estão dispostas em duas alas, uma para os homens, outra para mulheres. Existem, no hospital, duas salas de operações, aparelhos de Raios-X, laboratório de análises completo, grande ambulatório, sala de ortopedia, maternidade, berçário, farmácia, gabinete dentário com Raios-X e demais gabinetes.

Toda a aparelhagem acessória já está no hospital: esterilizadores, incubadora para nascimentos prematuros, ressuscitador, aparelho para fabricar oxigênio, aparelho "AGA" para operações, raios-X portátil e peças de copa e cozinha.

O hospital foi equipado com material nacional, naquilo que a nossa indústria tem de melhor ou igual ao produto alienígena. Há, contudo, algum material importado, especialmente dos Estados Unidos. O hospital está situado na "região livre" de Brasília e o responsável pelas obras foi o Engenheiro Vicente Paes Barreto. A capacidade do ambulatório é ilimitada.

(Diário de Brasília)

 

Associação Médica de Minas Gerais – Nesta data, oitenta médicos mineiros e goianos realizam o primeiro congresso científico de Brasília, sob o patrocínio da Associação Médica de Minas Gerais.

Os participantes do Congresso chegam por via aérea, tendo desembarcado por volta das 9,30 horas.

Os trabalhos são presididos pelo Presidente Juscelino Kubitschek, também médico, deles participando o Dr. Hilton Rocha, presidente da Associação Médica Brasileira e os presidentes das Associações Médicas de Minas Gerais e de Goiás.

Os visitantes comparecem à inauguração do hospital do IAPI, entregue, então, aos filiados ao Instituto dos Industriários, pelo seu Presidente, Sr. José Raimundo Soares Silva.

Discursaram sobre a importância da reunião científica, os presidentes das Associações Médicas de inicio referidas.

Falam, depois, o Presidente da Novacap, que trata da construção da futura Capital, servindo-se de mapas e levantamentos topográficos; justificando a escolha do sítio, rebate críticas, fornece explicações em torno do Plano-Piloto do arquiteto Lucio Costa, faz, enfim, uma explicação completa em torno da construção de Brasília.

Segue-se a parte estritamente científica, com animados debates, sendo focalizada a moléstia de Chagas. Os cientistas presentes ocuparam-se, depois, de assuntos relativos à Previdência Social.

Alguns tópicos da exposição do Sr. Israel Pinheiro, pela sua importância, merecem registros:

"Água, areia e pedra formam os motivos de críticas aos construtores da Nova Capital. A água é abundante. O represamento do rio Paranoá formará dois lagos que representarão lados do triângulo que limita o território do futuro Distrito Federal, lagos que deverão ter, em alguns lugares, largura próxima a quatro quilômetros. Com 130 metros a represa do Paranoá garantirá energia bastante para a Capital, durante, pelo menos, 15 anos."

Um médico pergunta se a areia era transportada por avião, ao que o Sr. Israel Pinheiro responde:

"Balela! Este transporte de material não poderia ser feito por aviões porque toda Força Aérea Brasileira seria de utilidade mínima. Temos, a seis quilômetros daqui, um banco de areia inesgotável, de três metros de profundidade por mais de quilometro de extensão. Já temos três frentes de exploração, cada uma superior a 25 metros, e o trabalho pode ser feito sem maiores embaraços."

Sobre financiamento, o Dr. Israel Pinheiro teve as seguintes expressões:

"Não é verdade que Brasília custará ao País 130 bilhões. A Novacap construirá apenas os prédios e as demais obras públicas. O resto ficará a cargo da iniciativa privada.

Reafirmo que Brasília é autofinanciável. Estará iniciada dentro de pouco tempo a venda de seus lotes, através do resgate das "Obrigações Brasília". Os lotes deverão ter preço aproximado de 200 mil cruzeiros."

Em sua exposição, bastante minuciosa, o Sr. Israel Pinheiro ainda salienta:

"O homem do interior acredita em Brasília. Sabe que o seu êxito corresponde  uma pretensão antiga, traduz mesmo a redenção próxima de milhões de quilômetros quadrados esquecidos."

Às 17 horas, os excursionistas tomam os aviões, rumo a Goiânia.

(Diário de Brasília)

 

 
05 de julho de 1957

A convite do Presidente da República, visita Brasília uma delegação de vereadores cariocas, chefiada pelo Sr. Hugo Ramos Filho, presidente da Câmara de Vereadores do Distrito Federal. Os vereadores cariocas vão acompanhados de jornalistas credenciados junto à Câmara da cidade.
O vereador Hugo Ramos saúda o Presidente da República, que a comissão visita.
Respondendo ao discurso do Presidente da Câmara de Vereadores do Distrito Federal, no palácio presidencial provisório de Brasília, declara o Presidente da República:
 
"Na presença dos Srs. Vereadores do Distrito Federal, faço esta declaração, peremptória, formal e solene: o Governo Federal não quer mudar a capital da República sem antes deixar a marca indelével dos benefícios de sua passagem pelo Rio de Janeiro".
 
O Presidente Juscelino Kubitschek inicia o seu discurso com um agradecimento à Câmara do Distrito Federal pela visita feita a Brasília e salienta que essa visita era uma das maiores demonstrações de solidariedade à iniciativa do seu Governo de transferir a capital do País, visto que se tratava de manifestação tributada pela própria e verdadeira representação do povo da atual Capital brasileira.

(Diário de Brasília)

 

 
02 de julho de 1957

Em Montes Claros, Minas Gerais, inaugurando a exposição pecuária no programa comemorativo do centenário da cidade, o Presidente Juscelino Kubitschek em seu discurso, refere-se a Brasília, "cuja iminente realidade já assusta os que temem deixar as comodidades do litoral e enfrentar os fascinantes problemas de uma nação que caminha para grandes destinos"

 

 
01 de julho de 1957

No Rio de Janeiro, realiza-se no Quartel do Batalhão de Guardas, em São Cristóvão, durante a noite, original festa, inspirada na decisão que manda destacar, para a futura Capital do país, no próximo ano, uma de suas subunidades, para atender aos serviços iniciais da

guarnição do Palácio Presidencial, até que o futuro quartel a ser construído possa abrigar toda a Unidade.

Artistas profissionais, unidos a um grupo de soldados do Batalhão, fantasiados de índios Carajá, representam uma peça cujo enredo se passa em Brasília, logo depois que ai chega a 5ª. Cia. de Fuzileiros do Batalhão de Guardas.

(Diário de Brasília)

 

 

 
30 de junho de 1957

30 de junho de 2008 – Brasília conta, nesta data, com quatro agências de bancos. A futura Capital, para onde não afluiu ainda nenhum banco estrangeiro, já se coloca, quanto ao número de instituições de crédito, em posição superior aos Territórios do Rio Branco, Amapá e Rondônia e em situação equivalente ao Território do Acre, nos quais se acham instaladas, desde algum tempo, respectivamente, 2, 3, e 4 agências de bancos. As atividades comerciais e industriais de Brasília ainda estão em fase inicial de desenvolvimento. Os levantamentos realizados no Núcleo Bandeirante, onde estão concentradas aquelas atividades, revelaram a existência de 93 estabelecimentos de comércio, distribuídos pelas seguintes categorias: 30 de seco e molhados, 15 de tecidos e armarinho, 9 restaurantes, 8 bares, 8 de materiais de construção, 5 mercearias, 5 açougues, 3 farmácias, 2 de autopeças, 1 papelaria e livraria, 1 tipografia etc. Contam-se também 10 estabelecimentos do ramo industrial e de prestação de serviços: 2 padarias, 1 serraria, 3 oficinas mecânicas, 3 marcenarias e 1 de artefatos de cimento;

 

A Associação das Pioneiras Sociais anuncia haver adquirido na Alemanha uma nova unidade Hospital-Volante, que prestará seus serviços na área de Brasília;

 

O Presidente da Novacap envia ofício ao Presidente da Comissão de Mudança da Capital Federal da Câmara dos Deputados, informando-o do andamento das obras de Brasília e declarando que o Congresso pode fixar a data da transferência da Capital para o dia que julgar mais conveniente a partir do segundo trimestre de 1960.

(Diário de Brasília)

 

 
26 de junho de 1957

O Senhor Íris Meinberg, Diretor Financeiro da Novacap, informa à imprensa que estão tendo franca e surpreendente ceitação as Obrigações Brasília, correspondentes ao lançamento de um empréstimo com garantia do Governo Federal para antecipação da receita para a construção da nova Capital. É grande o movimento de colocação dos títulos em todo o país. Além disso, organizações que virão estabelecer-se em Brasília, tais como Institutos, estabelecimentos bancários e outros, são subscritores compulsórios desses títulos. Somente a parte dos Institutos representa mais de Cr$ 300.000.000,00;

Entrevista do arquiteto Oscar Niemeyer a propósito da encomenda de estruturas metálicas a firmas estrangeiras:
"A encomenda de estruturas metálicas no estrangeiro, pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, visa a dois objetivos principais: economia e tempo. Pelo contrato efetuado, as estruturas serão entregues em tempo recorde, e seu custo será muito inferior ao do mercado corrente. Por outro lado, Volta Redonda, que está executando uma encomenda também de estruturas para Brasília, não poderia desincumbir-se de mais este pedido, sem prejuízo para o seu programa de produção."

(Diário de Brasília)

 

 
25 de junho de 1957

Na Embaixada do Brasil em Washington, o Embaixador Ernani do Amaral Peixoto anuncia que a companhia americana "Raymond Concrete Pile Company" obteve um contrato do Governo brasileiro para a construção dos primeiros edifícios públicos de Brasília.
A companhia americana, que ganhou a concorrência de que participaram diversas firmas estrangeiras, construirá os alicerces de aço de dezesseis Ministérios, com dez andares cada um, além de uma represa e uma central hidrelétrica, de capacidade de 25 mil quilowatts, que alimentará a nova Capital em água e energia elétrica.
Essas construções serão financiadas, em parte, por um crédito de dez milhões de dólares que o Banco de Exportação e Importação concedeu, recentemente, ao Governo brasileiro;
 
A Companhia Antártica Paulista decide adquirir em Brasília terreno para instalação de depósito e de um centro pioneiro para venda de seus produtos;
 
Em Recife, no Clube Internacional, o Presidente Juscelino Kubitschek, no discurso de despedida oficial ao Presidente Craveiro Lopes, profere as seguintes palavras sobre Brasília:
"Fez Vossa Excelência o que poucos brasileiros já fizeram em todos os tempos: traçou, no roteiro do avião, uma linha de viagens do extremo sul ao extremo norte do Brasil, indo diretamente de Porto Alegre a Manaus, pelo interior do país, completando o simbolismo dessa jornada com a permanência de um dia e de uma noite em Brasília. E nada me poderia ser mais grato, e mais grato aos brasileiros, do que o seu desejo e o seu gosto em visitar Brasília, com as palavras de fé e confiança em nossa nova capital que Vossa Excelência pronunciou em seu discurso naquele cruzeiro, ao pé do qual, em maio deste ano, Dia da Santa Cruz, foi rezada uma primeira e histórica missa pelo eminente cardeal de São Paulo, Don Carlos Carmelo Mota, semelhança nobre e como réplica de altas intenções daquela outra histórica primeira missa rezada num dia de abril, naquele instante e quase lendário ano de 1500, quando os portugueses que acabavam de descobrir a chamada terra de Santa Cruz preferiram, para marcar o seu domínio, antes fincar uma cruz na terra do que impor o seu poderio pela espada. Se coube aos portugueses fundar as nossas duas primeiras capitais, a de Salvador e a do Rio de Janeiro, permanecerá historicamente lembrado que Vossa Excelência foi o primeiro chefe de Estado não-brasileiro a visitar a nossa terceira e definitiva capital.
O que pensei em minhas meditações, proclamo-o agora, perante Vossa Excelência – agradeço a Deus o privilégio que me concedeu de encarnar, como Presidente da República, o espírito pioneiro e o sentimento nacional que me deram inspiração e força para construir Brasília no coração do Brasil, com um sentido de transformação e transfiguração do meu país."

(Diário de Brasília)

 

 
24 de junho de 1957

Chega a Brasília, que visita pela primeira vez, a Senhora Sarah Lemos Kubitschek, que seguirá com o Presidente da República para o Recife onde se celebrarão as solenidades finais da viagem do Presidente Craveiro Lopes e suas despedidas. (Diário de Brasília)

 

 
22 de junho de 1957

Visita Brasília, acompanhado de técnicos, o Senhor José Maria Alkmim, Ministro da Fazenda; (Diário de Brasília)

 

 
21 de junho de 1957

O Presidente Craveiro Lopes pernoita no Palácio Provisório.

Em Brasília, na companhia do Presidente Kubitschek, o Presidente da República Portuguesa assiste, no Aeroporto Internacional, a exibições de pára-quedismo por elementos do Exército, após os quais os dois Presidentes se dirigem ao Cruzeiro, onde o General Craveiro Lopes  inaugura uma placa comemorativa de sua visita e em que se formula a futura construção de "um monumento dedicado à raça e em memória dos heróis que fundaram este país".

A seguir, o General Craveiro Lopes preside a solenidade de inauguração do Hospital, que tomou seu nome, mandado construir pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários para atender aos trabalhadores que estão construindo a nova Capital.

O Presidente Craveiro Lopes tem oportunidade de abraçar, na futura Capital, o mais antigo residente português em Goiás. Alípio Mendes Ferreira, que reside no Estado há 49 anos. É proprietário de vários cinemas e vai inaugurar mais um em Brasília, no próximo ano, de mil lugares. Será o Cinema Cairo.

O Presidente de Portugal, com sua comitiva, visita os pontos mais interessantes de Brasília. Os habitantes da futura Capital prestam significativas homenagens ao estadista português. Diante dos escritórios da Novacap reúne-se o pessoal da Companhia para recepcionar os visitantes. Também os alunos do Grupo Escolar formam com os seus uniformes de gala, agitando bandeirolas e cantando a música "Viva Craveiro".

O General, em seguida, visita o restaurante do SAPS onde cerca de oitenta trabalhadores tomavam refeições.

O serviço de auto-falantes do SAPS fez tocar os discos do Hino Nacional brasileiro e do Hino Nacional português.

Durante a permanência da comitiva em Brasília, três aviões, incluindo-se um Douglas da FAB, foram destinados, exclusivamente, a fazer a ligação dos dois campos de pouso: o 'internacional', que tem a maior pista asfaltada do Brasil, e que recebe avião de qualquer tipo, e o que fica aos fundos do "Palácio Provisório". A distância entre os dois campos de pouso, como se sabe, é de doze quilômetros.

A Novacap emprega todos os seus carros no transporte dos visitantes.

O Presidente Craveiro Lopes deixa Brasília às 13 horas e 23 minutos, chegando a Manaus às 17,30 hora local, viajando num avião "Viscount".

(Diário de Brasília)

 

 
20 de junho de 1957

Procedente de Porto Alegre, chega a Brasília, às 18,30 horas, o General Craveiro Lopes, Presidente da República Portuguesa. Após os cumprimentos, o Presidente da República Portuguesa dirige-se ao Palácio Provisório, onde já o esperava o Presidente Juscelino Kubitschek, que ali lhe oferece um jantar. Após a refeição, o Presidente Kubitschek explica ao Presidente Craveiro Lopes a evolução da idéia histórica da mudança da Capital e o plano de construção de Brasília.
(Diário de Brasília)

 
19 de junho de 1957

A propósito do projeto do deputado Daniel Faraco que propõe o nome de Vera Cruz para a futura capital, o relator da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados (deputado João Menezes) afirma:

"Evidentemente, não encontramos no projeto nenhuma conveniência, quer de ordem histórica, de forma ou de origem popular. Além do mais, o nome Brasília já está consagrado pelo uso e espalhado pelo mundo, refletindo esta iniciativa arrojada que vinha figurando, sem resultado prático, em nossos dispositivos constitucionais."

(Diário de Brasília)

 

 
18 de junho de 1957

A Estrada de Ferro de Goiás iniciará em breve um programa de emergência em que aplicará Cr$ 11 milhões no aparelhamento de depósitos, na reparação de 10 locomotivas, no reforço de pessoal e em ferramentas e materiais. O programa deriva do exame recentemente feito em Brasília, sob a direção do Presidente Juscelino Kubitschek, no sentido de se resolverem os problemas de transportes para Brasília, de maneira a que a ferrovia possa atender, com prioridade, à solicitação cada vez maior de transporte de materiais para a construção da futura capital. (Diário de Brasília)

 

 
16 de junho de 1957

A Novacap divulga que o empréstimo obtido no Eximbank será empregado da seguinte forma:
1) Construção da Usina Hidrelétrica do Paranoá;
2) Compra das estruturas metálicas destinadas aos 16 edifícios em que se localizarão os Ministérios e as demais repartições importantes do Governo em Brasília.

O dinheiro será usado, também, na aquisição do equipamento necessário a essas obras e no financiamento da usina.
O prazo de pagamento do empréstimo será de 15 anos, com juros de 5,5 por cento.
(Diário de Brasília)

Estruturas metálicas dos edifícios dos ministérios. Foto Arquivo Público do DF.

 
07 de junho de 1957

O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o Ministério da Fazenda a dar garantia do Tesouro Nacional ao empréstimo negociado pela Novacap com o Eximbank, na importância de US$ 10 milhões, pelo prazo de 15 anos e aos juros de 5 ½ % ao ano (Diário de Brasília);

 

 
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